Reflexo da mudança: eles agora têm nome
A recente mudança no cargo de editor-chefe do jornal A Tribuna (Márcio Calves foi substituído por Wilson Marini) provocou mudanças das mais notáveis e louváveis no jornal diário. Este passou a retratar mais as cidades da Baixada Santista e deixar de lado, para os jornais ditos nacionais, a tarefa de retratar assuntos também ditos nacionais. Ou seja, a região passou a ser valorizada. Paralelamente, outra mudança de destaque diz respeito às matérias: agora são assinadas.
Escondidos atrás de uma alcunha chamada “Da Redação”, um jornalista não tem um nome a zelar. Ele não toma todos os cuidados, não busca o melhor: a culpa por algo errado recai sobre a redação inteira. Era assim que ocorreria em A Tribuna. As matérias dificilmente eram assinadas – fato este que dá livre-arbítrio para o jornalista errar: na pior das hipóteses a culpa é da redação.
Os maus Ghosts Writers, aqueles que escrevem, mas não dão seus nomes, não dão a cara à tapa, gozam do prestígio do jornal quando ele acerta, porém escondem-se de seu erro, pois este sempre é grupal (nunca de um jornalista, mas do coletivo deles, da redação).
Essa mudança também passa a valorizar melhor o trabalho de apuração do bom repórter. Ele busca o máximo de informações possíveis, as passa na melhor forma e seu nome, antes ocultado por um ‘Da Redação’, está lá: ele se vê no jornal. O que antes era injusto passa a ser justo.
Mas, sem dúvida nenhuma, o melhor reflexo que tem essa mudança no jornal santista é para os leitores. Estes devem saber que a matéria escrita é apenas uma representação da realidade, nunca ela completa e em si mesma, mas uma aproximação do fato objetivo; tendo em vista isso, o leitor precisa saber que atrás da realidade dita objetiva em uma notícia há uma representação que passa por todos os sentimentos e formação cultural do repórter.
Sabendo disso, ele passa a escolher melhor e a criar afinidades de acordo com o texto do repórter. Quantos leitores não lêem Clóvis Rossi da Folha de S. Paulo porque ele é o Clóvis Rossi? Quantos não lêem Jamil Chade de O Estado de S. Paulo porque ele é o Jamil Chade? A Tribuna também pode ter a chamada grife do repórter.
Enfim, ganha o leitor, o repórter e o jornal, já que este passa a ser feito por pessoas, por um acaso trabalhando em conjunto, e não construído por um grupo de fantasmas acobertados pelo ‘Da Redação’.

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