O Brasil do câncer

Sob a acusação de abuso do poder econômico e político e, também, uso da máquina do Estado para se reeleger, Cássio Cunha Lima, do PSDB, foi cassado do cargo de governador da Paraíba pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na semana passada. A decisão se estendeu ao vice, José Lacerda Nero, do DEM.

Com a cassação, José Maranhão, do PMDB, que estava no Senado e havia sido o segundo colocado na última eleição para governador da Paraíba, assumiu o governo do estado. Mas… – e esse é o nosso país – …ele enfrenta oito processos no mesmo TSE, referentes tanto às eleições de 2002 como às de 2006.

As ações o acusam de abuso do poder econômico e político, compra de votos, conduta vedada e uso indevido de meio de comunicação. Ou seja, ele corre o mesmo risco de seu antecessor: ser cassado.

(Para falar a verdade, quem corre risco somos nós.)

Como assumiu as funções de governador, José Maranhão abriu uma vaga a uma cadeira do Senado. Esta será ocupada pelo empresário Roberto Cavalcanti. E, advinha? Ele enfrenta, pelo menos, duas ações penais em que é suspeito de ter causado prejuízo aos cofres públicos.

Cavalcanti responde a processos na Justiça Federal por corrupção ativa e uso de documentos falsos. Por ter foro privilegiado, ele será julgado pelo Supremo Tribunal Federal.

Em virtude disso, a lista suja deveria existir ou não?

Não, esse é o Brasil do câncer. Responder processo no mundo político brasileiro é regra, não exceção.

~ por Guilherme Luigi Zanette em Fevereiro 23, 2009.

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