Pressão de todos os lados sobre demissões da Embraer
Foi anunciado nesta sexta-feira (27/02) que a Embraer, fabricante brasileira de aviões, pretende recorrer junto ao Tribunal Regional do Trabalho sobre a liminar que suspendeu as demissões realizadas pela empresa. A justificativa seria que as demissões foram feitas de acordo com as “prescrições” da lei trabalhista.

Assim como vem acontecendo no mundo, a Embraer foi só mais uma das que tiveram de apertar os cintos devido aos grandes prejuízos da crise. Ela cortou 4.200 funcionários. A decisão foi anunciada no dia 19 de fevereiro pelo presidente da fabricante de aviões, Frederico Fleury Curado. Ele aproveitou e apontou a crise mundial como a grande causa. Houve uma queda na demanda de aeronaves, o que, segundo ele, não seria uma situação passageira.
Assista:
As demissões representam cerca de 20% do quadro total de 21.362 empregados. A maioria dos cortes está acontecendo na mão-de-obra operacional, administrativa e lideranças, incluindo a ‘eliminação’ de um nível hierárquico de sua estrutura gerencial.
As estimativas para 2009 também foram revistas. A empresa calculava entregar 270 aeronaves, com receita prevista de US$ 6,3 bilhões, além de usar US$ 450 milhões em investimentos. Os novos números apontam 242 aeronaves no período, com uma receita de US$ 5,5 bilhões e US$ 350 milhões em investimentos.
Fogo Cruzado
De acordo com a Justiça do Trabalho, as demissões em massa não poderiam acontecer sem antes a Embraer negociar com os sindicatos. Sob este alicercek, o desembargador Luís Cândido Martins Sotero da Silva, presidente do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 15ª Região (Campinas), colocou um prazo até a última quinta-feira (26/02) para que as demissões fossem suspensas.
O juiz também determinou que a empresa deve apresentar seus balanços patrimoniais e demonstrações contábeis para que seja justificado tal corte no quadro de funcionários.
Enquanto isso…
…os demitidos, maiores interessados neste impasse, realizaram ao longo da semana passeatas em São José dos Campos. Nesta sexta-feira, junto com a Força Sindical e a Conlutas, eles realizaram mais uma ação de protesto, próximo à sede da fábrica.

Em Brasília (ou em alguma parte do mundo)
Velho de guerra em lutas sindicais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro para a diretoria da Embraer seu descontentamento. Segundo ele, poderia sido planejada uma ação, sendo que questões internacionais levaram a empresa a demitir. Lula afirmou também que as demissões poderiam ter sido feitas de “uma forma mais humana”.

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