Os alunos de Sarney na lama do Senado

Mesmo depois de todos os suficientes escândalos, envolvendo o Senado Federal e seu presidente, capazes de manchar a imagem da instituição, os senadores que aparentemente estão fora das irregularidades não fizeram um mínimo esforço digno para tentar salvar a imagem da Casa.

Ao contrário, preferiram, mais uma vez, prestar um desserviço à população e entrar nos conluios políticos para salvar as imundices de José Sarney e outros senadores.

Um acordão entre o PT e a oposição foi feito para deixar as coisas como estão.

Mesmo assumindo a irregularidade, representação contra senador é arquivada

Mesmo assumindo a irregularidade, representação contra senador é arquivada

Então, apesar das denúncias fundamentadas da imprensa, muitas delas feitas pelo jornal O Estado de S. Paulo, que incluíam benefícios a apadrinhados políticos de Sarney, o favorecimento a familiares mesmo depois da decisão do Supremo Tribunal Federal contra o nepotismo e mentiras sobre desvios de verbas da Fundação Sarney (que recebeu patrocínio da Petrobras), o presidente da Casa segue imune na presidência; e Arthur Virgílio, acusado de manter em seu gabinete um funcionário fantasma, de pedir empréstimo a um ex-diretor do Senado para pagar despesas pessoais e de ter usado indevidamente o plano de saúde do Senado para tratamento da mãe (já falecida), também sai livre dessa sem precisar responder às acusações. Aliás, Arthur Virgílio assumiu seu erro em manter o funcionário fantasma.

Preserva-se dessa forma a imagem de todos os senadores e a da Casa segue manchada perante a opinião pública. Mas será que eles se importam com isso?

A situação do Senado chegou num ponto em que todos podem ser nivelados por baixo.

Quando um acusa, a defesa do réu é outra acusação. Eles defendem atirando. Se a acusação “você deve se explicar porque deu cargo para o namorado da sua neta” é feita, a resposta é “e você que, com dinheiro do Senado, pagou plano de saúde para sua mãe”, ao invés de uma defesa sobre a acusação. A lógica é tirar o foco de si, já que os outros senadores também estão na podridão.

Esse comportamento pode ser visto na frase de Renan Calheiros: “Nossos adversários se acham melhores e mais limpinhos, mas não são. Pensam que nós podemos ser investigados e colocados sob suspeita e eles não”.

A moral coletiva do Senado assumiu o seguinte pensamento: “Ora, se se julgassem todos os casos com base na lei, sobraria algum senador sem perder o cargo por quebra de decoro?”

Uns sabem exatamente os podres dos outros e um julgamento, portanto, seria apontar o dedo sujo para imundices piores.

E a sujeira toda se torna ainda pior. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, “PT e PSDB ainda negociavam uma forma de fazer o PMDB aceitar a ideia de ‘abrir e matar um processo no Conselho de Ética contra Sarney’”. Dessa forma, o PT faria um “discurso para a plateia”, dizendo ao eleitorado que tentou investigar Sarney, mas não conseguiu.

Ou seja, o decoro deixou de ser parte integrante do comportamento político para se tornar algo cada vez mais raro — se é que ainda existe.

Julgar Sarney, então, fica complicado nessa situação. Na instituição, há muita gente que aprendeu com ele.

~ por Guilherme Luigi Zanette em Agosto 13, 2009.

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