O futuro do mercado de luxo no Brasil — (Public First Class, ed. 24)

Parmigiani Fleurier, grife suíça de alta relojoaria que tem produção artesanal de apenas cinco mil peças por ano, chega ao Brasil apostando em um mercado que cresce a altas taxas ano a ano.

Parmigiani Fleurier, grife suíça de alta relojoaria que tem produção artesanal de apenas cinco mil peças por ano, chega ao Brasil apostando em um mercado que cresce a altas taxas ano a ano.

As projeções econômicas de analistas, no geral, pendem para o caos. Em resposta, o governo parece acreditar em uma realidade paralela, já que há muito otimismo e pouco crescimento. Conversamos com especialistas para saber onde fica o mercado de luxo nesse contexto

Nos jornais, apocalípticos e integrados — tomando emprestados os termos do filósofo Umberto Eco para definir os que condenam a cultura de massa e os que a absolvem — disputam os espaços nas páginas de economia. Os primeiros, mais requisitados pela mídia, são analistas, especialistas e professores, sobretudo pessimistas — todos com suas preferências políticas — que propagam crises econômicas sem fim, como se tudo estivesse errado na condução política da Economia brasileira. Inflação alta, juros altos, alta intervenção do Estado na economia abastecem as críticas. De outro lado, um Ministério da Fazenda, os tais integrados acima chamados, que plantam um otimismo exacerbado, como se qualquer número ruim fosse apenas reflexo de uma desaceleração da economia mundial.

Mas, então, surgem as projeções, pessimistas e otimistas, que passam longe da realidade, na maioria das vezes. E isso leva a casos emblemáticos e distorções, como exemplo: o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro cresceu 1,5% no segundo trimestre desse ano em relação ao período anterior, enquanto o mais otimista dos analistas (pessimistas) projetava 1%, a média geral era 0,8% e alguns mais pessimistas ainda esperavam retração. Os jornais trataram de dar ampla cobertura à “saudável surpresa” e entrevistaram os mesmos pessimistas, que continuaram vendo lados negativos; disseram que era um crescimento insustentável, que já era hora de mudar a equipe econômica, e que os números do trimestre posterior fatalmente trariam retração.

Ou seja, no meio disso tudo, números desmentem os dois lados: a economia vai devagar, mas evolui melhor do que as projeções. Não está tão ruim quanto querem os apocalípticos nem tão bom como acreditam os integrados.

Nessa conjuntura, investidores e empresários confiam cada vez menos nessas projeções, que de uma forma geral, tratam a economia como um todo. No entanto, a Public First Class entrevistou especialistas no mercado de luxo, que tem mais contato com as conduções econômicas, para saber como esse nicho reage nesse contexto turbulento.

Guilherme Kossman, gestor Institucional e de soluções estratégicas da MCF Consultoria, esclarece que embora o mercado de Luxo também seja afetado em momentos de recessão ou desaceleração, isso acontece de maneira menos abrupta. E destaca: “No Brasil, o que vemos é uma redução no crescimento, mas ele continua a existir”. E parece que a um número substancial, já que a consultoria espera algo em torno de 16% de crescimento para o mercado de luxo nesse ano, o que é uma taxa muito expressiva, segundo o gestor.

O presidente da consultoria The Royal Group, Bruno Pamplona, também prevê um futuro promissor. E a razão para o otimismo é que, segundo ele, diferente do que muita gente pensa, “o mercado de luxo não é regido pela economia. E cada vez mais brasileiros estão acessando os produtos de luxo, isto é uma realidade”, conclui.

Apesar desse maior acesso, de acordo com Guilherme, o consumidor do luxo também reduz suas compras quando a economia desaquece. “Mas ele faz isso de maneira mais suave. Não há quedas bruscas, mas uma redução no consumo. Mesmo assim, o mercado continua crescendo”, frisa.

E as marcas internacionais sabem disso. Tanto que mesmo com os entraves típicos do mercado brasileiro, elas ainda desembarcam aqui. Bruno enumera alguns: “Custo Brasil, burocracias de desembaraço, logística de transportes, alta carga tributária e o desconhecimento do brasileiro da grande maioria das marcas de luxo”.

Mas será que isso pode afastar investidores desse ramo? Guilherme responde: “Não diria que afasta, porque o mercado do luxo no Brasil é atraente pelos números de crescimento que tem apresentado. Mas é um fator complicador, especialmente para as empresas de menor porte”.

Voltando aos números, parece que o mercado de luxo continua voando em céu de brigadeiro, já que são esperados crescimentos expressivos também para os próximos anos. Para 2014, a MCF prevê um patamar próximo ao desse ano, com 15%. Já a The Royal Group trabalha com os números de 12% em 2013 e 10% de crescimento no primeiro semestre de 2014. Para um futuro próximo, o luxo continua inabalável.

Texto  e diagramação de Guilherme Zanette (Futuro Luxo 26 27 Matéria Luxo Marcas), originalmente publicado na revista Public First Class. Mais notícias do universo do luxo no site: www.publicfirstclass.com.br.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s