Duda Ferreira: Menina de negócios — Capa da Public First Class, ed. 19

310602_312393445446582_849404529_nSe você tivesse 18 anos e fosse filha do Amaury Junior, o que você imaginaria fazer? Viajar? Passear com o cartão de crédito pelo shopping? Ou de repente os dois juntos? Pois é, Duda Ferreira escolheu trabalhar e faz isso até hoje. Conheça essa mulher de natureza espontânea, que dorme poucas horas por dia e pensa em trabalho o tempo todo, mas que ainda conserva o jeito de menina e o vigor do primeiro dia

No escapulário, quatro cachorros desenhados. Eles são a grande paixão de Duda Ferreira, jovem empresária do mundo da moda, mas que já acumula quase 20 anos de experiência no ramo. “Amo meus cachorros. Eles são meu hobbie.” Quem tem a oportunidade de conversar com ela descobre uma mulher sofisticadamente simples, simpática, agitada, divertida e com um tino afiado para os negócios, herdado do pai Amaury Júnior. Aliás, ela diz, com grande admiração, que a característica mais parecida com ele é o jeito despachado. “Eu não tenho vergonha, acho que é isso. Todo mundo fala que eu sou ele de saia”, acrescentando que também herdou dele a determinação e o trabalho. “Eu acordo cedo e vou dormir à uma da manhã. Eu sou muito agitada e ele é assim também”, conta a empresária, natural de São José do Rio Preto, mas que viveu uma infância cheia de brincadeiras de rua — e que deixou bastante saudade, segundo ela — em São Paulo (mudou-se para a capital a partir do primeiro ano de vida).

Toda essa agitação fez com que seu reconhecimento no ramo da moda fosse crescendo. Há 10 anos, a empresária criou o showroom Casa Moda, hoje Salão Casa Moda, única feira especializada no mercado de luxo e o maior showroom voltado para o atacado do Brasil, acontecendo quatro vezes por ano no Hotel Unique. O Casa Moda foi responsável por lançar, no mercado, marcas importantes como Neon, Juliana Jabour, Marcelo Quadros e outros.

Mas essa paixão pela “moda” começou desde muito cedo. (Moda entre aspas, porque a empresária é categórica: “Eu nem sou apaixonada por roupa, por essas coisas. Sou, sim, apaixonada pelo negócio da moda”.) Mesmo sendo filha de um dos maiores empresários do país, já aos 18 anos, Duda começou a trabalhar. “Minha mãe tinha uma loja, junto com a mulher do Ciro Batelli, chamada Tradition, e elas traziam coisas de época”. Duda voltava da escola e ficava na loja para ajudar a mãe. “Acabou que eu fui pegando o negócio. E o espaço foi virando uma loja de acessórios, de bijuterias e todo mundo me conheceu por conta disso”, lembra a empresária.

Foi nesse período que conheceu seu ex-marido e sócio, Alexandre Cerqueira, que já trabalhava com moda em Recife. Formou-se em Jornalismo, mas o negócio da moda já estava em suas veias e foi se encaminhando. “Conheci o Alexandre e casei com ele. Então, acabou que fui levada. E o negócio continua dando certo. Eu amo essas feiras, amo esses negócios. Gosto de televisão também, acho legal, mas não sei… eu me achei nisso”, conta. Mas, de acordo com ela, ter feito Jornalismo colaborou muito com o trabalho da empresária. “O Jornalismo te dá desenvoltura para você conversar, falar, escrever. Eu aprendi a escrever muito bem e isso me ajuda nos meus negócios.”

Em 2000, Alexandre e Duda criaram o showroom Casa Moda com três marcas (Jefferson Kulig,

 

Karina Kulig e a mãe) e, em pouco tempo, conseguiram lançar mais algumas. “No começo, atendíamos apenas designers no ramo de atacado. Colocávamos a coleção deles à disposição de lojas do Brasil inteiro. Estilistas como Reinaldo Lourenço, Marcelo Quadros, Glória Coelho, Carlos Tufvesson, Juliana Jabour…”, conta. Logo após, lançaram, com o Casa Moda, a marca Neon e se tornaram sócios dela. “Aí quando começou a crescer a procura, eu pensei que não dava mais para a gente cuidar de cada marca”.

Decidiram, então, abrir um salão para unir as marcas lá dentro e aproximar os clientes. O mais curioso é que essa aposta aconteceu em meio à crise financeira de 2008, que resultou em grandes perdas para o mundo da moda. Com ousadia, Duda reinventou seu modelo de negócio e abriu o Salão Casa Moda. “E, nisso, eu juntei no mesmo lugar todos os estilistas que eu sempre sonhei em ter na minha vida. Todos que eu queria estavam lá em um só lugar”, lembra emocionada. “Foi aí que eu percebi que eles reconheciam meu trabalho e sabiam quem eu era. Foi muito gratificante para mim.”

Hoje, Duda leva uma vida de paixão pelo que faz. É tanto envolvimento com o negócio da moda, que além do salão, ela ainda é diretora geral das marcas Comini Fasano, Di Bella, Ave Novia e Studio Comini, grifes mineiras que fazem parte do grupo Delírio e são especializadas em moda festa. “Eles tem uma fábrica enorme em Belo Horizonte. Acredito que o mercado de roupa de festa é um mercado que promete. Grandes redes estão vindo para o Brasil para vender roupas do dia a dia. Com isso, vai ficar cada vez mais difícil para um estilista se estabelecer nesse ramo no Brasil. Agora, com vestido de festa, não.”

Além disso, a Comini produz para Daslu, Iódice, Lita Mortari, Juliana Jabour e Marcelo Quadros, entre outros. “E eu faço esse entremeio. Exemplo: a Daslu. Eu fiz o contato deles com a Daslu. Aí fecho tantos vestidos de festa e eu vou lá, passo os desenhos, faço os negócios, fecho os preços, faço tudo isso. Só que eu fico ‘em cima’ de tudo. ‘O tecido já foi?’ Eu acompanho tudo, porque eu combinei uma data para essa roupa estar lá. Então, eu faço toda essa direção”. E ela não se intimida com a quantidade diária de trabalho: “Toda dia tem coisa para fazer. Mas eu gosto de estar sempre sob pressão”.

Sua vida é uma semana em São Paulo, outra em Belo Horizonte. Atualmente, ela namora Rubens Comini, um dos sócios da Comini Fasano. “Eu acelero todo mundo lá em Belo Horizonte, que nem agora. Estamos fazendo uma mega produção para a Daslu. Nossa! Eu atordoei o povo lá”, diz ela, sempre muito divertida. “E o que eu gosto na Comini é justamente o fato de eles acreditarem na moda como um negócio. Isso que eu gosto. O Rubens, daqui a pouco, vai ser um dos maiores produtores de festa da América Latina”.

Segundo a empresária, seus colaboradores mais diretos acabam sendo tomados pela sua agitação. “Pergunte aí para a minha secretária! Ela fala que, quando eu chego, ela fica sob pressão”. Mas ela pontua um outro lado: “Eu invisto muito nos meus funcionários. Não tem um funcionário que entra aqui que eu não pago a faculdade. Acho que, hoje em dia, você tem que ver seu funcionário com união, eles tem que estar do seu lado. Para grandes negócios acontecerem, você tem que tratar seu funcionário junto com você. Eu acredito nisso e acho que o mundo vive essa fase”.

Mas… é só o Salão Casa Moda e as marcas de Belo Horizonte? Não. “Eu tenho ainda uma  marca  infantil  que  se  chama Branquinha. Ela é vendida em lojas, só que eu vendo numa feira infantil que chama Zero a Doze. A Branquinha é pequena ainda, tem um ano”, acrescenta. “As pessoas confundem isso, acham que moda é glamour, nariz empinado… metidez. Isso não leva ninguém a lugar algum. E, o que dá certo na vida é fazer as coisas bem direito, com decência, trabalhando corretamente. O que eu mais aprendi é que nada substitui o verdadeiro trabalho e a força de vontade. Eu penso no trabalho toda hora e gosto!”, ressalta. E completa: “Quem trabalha com moda, trabalha com qualquer coisa.”

Sorte? Não, ela não acredita nisso. “Eu acho que as oportunidades são iguais para todo mundo. Cada um nasce de um jeito; eu acredito que existem fatores espirituais, mas que todo mundo nasce com a mesma oportunidade”, analisa, citando que já viu exemplos de pessoas que não tinham um ambiente favorável e conseguiram vencer. “Já vi casos de, em uma casa, o pai ser bêbado e drogado, um filho ser bêbado drogado, mas o outro não. Ele vai lá e dá certo. Não é sorte, é força de vontade. É a energia que você gira dentro”.

A propósito, ela diz ter chegado à conclusão de que somos pura energia. “Quando você tem força de vontade, é como se você jogasse uma pedra no rio, e a onda vai se propagando. É assim que a energia começa a se movimentar. Cada um tem uma história para viver aqui. As pessoas não podem julgar… cada um está vivendo uma história dentro da sua evolução. Ter fé… é isso que eu acredito e quero para mim. E fé é esse sentir, acreditar. Isso gera uma energia interminável”.

E, quando sobra um tempo, ela gasta essa energia para com coisas simples, que ela diz adorar. “Por exemplo: viajar é a coisa que mais amo nessa vida. Se me sobra um tempo, eu viajo. Eu gosto de tudo, de todos os lugares e invento sempre um lugar que nunca fui para poder ir. Mas, no geral, o que eu mais amo é praia. Gosto muito”.

Quanto às metas, Duda espera abrir um leque de feiras da Casa Moda. “Estamos querendo levá-lo para Brasília e para o Nordeste, fazendo um projeto de alto verão.” O que é bastante esperado para quem vive intensamente o trabalho.

Texto  e diagramação de Guilherme Zanette (36 37 Capa Duda 38 39 Capa DUda), originalmente publicado na revista Public First Class. Mais notícias do universo do luxo no site: www.publicfirstclass.com.br.

 

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