Public LifeStyle, edição 8

59111_489986817761311_1990870065_nCorreção de textos, edição final e reportagem de capa.

Claudio Figueiredo – Ortodontista com assertiva visão de marketing – (Diagramação Claudio Capa Claudio Capa2)

Cláudio Figueiredo desenvolveu um aparelho dentário inovador e de tecnologia única no mundo, o que contribuiu para seu reconhecimento profissional. Movido a motivações diárias, hoje ele é professor e palestrante, graças ao sucesso da rede da qual é diretor clínico

Se na música dos Engenheiros do Havaí, o papa é pop, no ramo da Ortodontia, Cláudio Figueiredo, diretor clínico da Euro Orto, também é — pelo menos em Santos. Respaldado em um trabalho inovador e eficiente em aparelhos dentários, mais especificamente o sistema autoligável, o dentista especialista em Ortodontia e Ortopedia diz adorar o prestígio social que conseguiu, verificado quando anda no Shopping e é cumprimentado pelas pessoas. “Se eu não fizesse um trabalho bem feito, eu teria que me esconder das pessoas quando elas me vissem. É gratificante andar e encarar seu paciente de frente, ver ele te cumprimentar e falar para o amigo ‘esse aqui é meu dentista’”, orgulha-se.

Mas esse prestígio social, de acordo com ele — que também é professor, palestrante e faz Mestrado exclusivo para especialistas com ênfase em autoligável —, é apenas um dos pilares para o sucesso profissional. Ou melhor, esse é apenas um dos pontos dos desejos profissionais que ele faz questão de citar toda vez que leciona palestras de Marketing para área de Saúde. Completam a lista: boa rentabilidade financeira e qualidade de vida. “Os três, separadamente, são terríveis. Você ganhar muito dinheiro sem ter prestígio social, sem fazer um bom trabalho, é ruim. Ele pode até ganhar bastante, mas dentro de uns quatro, cinco anos, vai perder tudo aquilo. Também ter só qualidade de vida não adianta, pois temos que pensar no futuro.”

Mas antes de se aprofundar em sua assertiva visão de Marketing, precisamos entender o que levou o profissional a conquistar tudo isso.

Primeiramente, Cláudio lembra que a profissão não era um desejo de criança: ele tinha medo de ir ao dentista. “Sofria, mas quando comecei a ir durante a adolescência, despertei uma admiração”, conta.

No entanto, como amava desenhar, na hora de escolher um curso, decidiu fazer Engenharia no Rio de Janeiro, também por influência do pai (engenheiro mecânico). “Eu tinha habilidade em criação, então quis ser engenheiro desenhista.” Mudou para a cidade maravilhosa e notou que gostava demais de pessoas — e não tanto de números e cálculos. Desistiu do curso e para compensar o investimento dos pais, decidiu morar um ano em Londres, com o objetivo de juntar dinheiro. “Trabalhava 16 horas por dia lá em dois empregos de oito horas. Meu irmão já morava na cidade — e ele também começou Engenharia, desistiu e foi. Aliás, ele é que nem eu no quesito inovação… inventou uma prancha de surfe de alta tecnologia. Hoje, ele exporta para o mundo inteiro. E eu e meu sócio somos os designers do nosso aparelho”, compara.

Quando voltou, fez faculdade de Odontologia em Bragança Paulista e, com um ano de formado, foi responsável pelo primeiro plano odontológico da cidade de Santos, mostrando que a novidade era, de fato, sua marca. “Fundei e fiquei uns dez anos no Oral Family (o plano odontológico).” A ideia veio após perceber que a sua cartela de clientes foi aumentando demais em virtude do atendimento que dava, principalmente na Prefeitura do Guarujá. “Porque eu trato meu cliente mais carente da mesma forma que eu trato meu cliente do serviço prime”, ressalta, indicando seu compromisso com o bom atendimento.

Depois disso, abriu seu consultório e, sempre disposto a aprender, frequentou cursos e entrou em contato com a técnica do aparelho autoligável, que já existe há 15 anos nos Estados Unidos. A partir daí, abusou de sua curiosidade e disposição em “mexer nas coisas” para desenvolver o que ele define como um aparelho revolucionário.

Aqui, vale uma explicação do autoligável: “A primeira diferença desse aparelho para o convencional é que esse último tem aquela famosa borrachinha, as ligaduras”, afirma, acrescentando que elas são responsáveis por segurar 60% a mais de placa bacteriana, além de causar seiscentas vezes mais atrito do que um aparelho que não tem a borrachinha (autoligável). “Além disso, o aparelho convencional demora muito mais tempo e quanto mais você demora, mais malefício você traz para o organismo”, explica. Ele lembra que as técnicas que usam “borrachinha” exigem de 40 a 60 consultas, enquanto o modelo de atendimento da Euro Orto tem uma média de 15 consultas.

De acordo com o profissional, há nove anos sua equipe trouxe essa técnica para o Brasil, sem deixar de dar colaborações às pesquisas científicas na medida em que buscavam aprimoramentos. “Montei o primeiro curso da América Latina e hoje damos aulas para o Brasil todo, Europa e Estados Unidos sobre essa técnica. O primeiro livro clínico do mundo é nosso.” Na publicação, 10% das páginas são escritas e o resto são fotos de casos. “Vamos lançar o segundo livro, que já está praticamente pronto, agora em agosto.”

Na técnica, o fio do aparelho (sem borrachinhas) é feito a partir de pesquisas da NASA, inventora de um material, uma liga, que no frio é maleável e moldável e em alta temperatura é rígido. “E o que o nosso grupo faz de diferente? Nós estamos usando um aparelho que possui 20g de força e o normal é com 40g de força. Começamos a observar, por meio de pesquisas, que quanto menos força, mais rápido o dente voltava ao lugar. E por que 20g? Porque é a mesma força do pulsar de um dente, isso descrito por autores”.

No começo, ele trabalhava com o modelo americano. Porém, em um congresso na Alemanha, conheceu uma fábrica que fazia um modelo diferente e começou a usá-lo. “Eu e meu grupo vimos que os dois tinham pontos positivos e, então, desenhei um novo aparelho e conseguimos uma fábrica que o fez. Nosso aparelho tem dois anos e pouco”, conta, acrescentando mais um diferencial: o Win system, sistema inventado por ele para otimizar o tratamento.

Ao final das pesquisas, os resultados clínicos foram tão satisfatórios que o número de palestras e cursos de Cláudio vem aumentando sistematicamente — e o de clínicas também: são mais de 70 no Brasil. “Nós temos cursos e os alunos conhecem o sistema autoligável: teoria, técnica, casuísmo (apresentação de casos) e também falo sobre o Winsystem. Depois de dois dias de aula com a gente, os alunos saem capacitados e querem usar o aparelho”, confirma. O preço também ajuda. “O autoligável tinha um valor absurdo há dez anos, agora é acessível e bem competitivo.”

Dessa forma, muitos alunos abrem franquias da Euro Orto, convencidos do resultado. De acordo com o dentista, eles percebem as vantagens, inclusive mercadológicas da empresa para os clientes. “O que acontece com nossa filosofia? Nós cobramos um valor fechado. Você sabe exatamente o seu investimento. Se demorar um ano ou demorar dez, é o mesmo valor. E se demorar dez, você vai me dar prejuízo e é ruim pra você. Então não existe enrolação. Quando o paciente vem, pelo exame que faço, eu já vejo quanto tempo ele vai ficar com o aparelho e qual será o investimento. Isso não acontece assim com o aparelho de ligaduras”. Esse investimento, na Euro Orto, inclui exame, todas as consultas, aparelho, contenções (quando tira o aparelho) e acompanhamento. “Tirado o aparelho, eu dou garantia do meu serviço e o paciente volta aqui de seis em seis meses e depois de um em um ano”.

Muitas vezes parecendo mais um profissional de Marketing do que um dentista, Cláudio diz ter facilidade em vender seu produto porque, para ele, esse é o melhor do mercado. “O carteiro vem aqui entregar carta e eu já quero que ele saia de aparelho! Falam que eu sou marqueteiro. Sou, com maior prazer!”

Em comum com a empresa, ele compartilha valores de responsabilidade com a excelência no resultado. “Toda a nossa filosofia é uma coisa minha mesmo de querer fazer tudo andar corretamente. Lógico que nem sempre conseguimos. Mas o ponto, a promoção, o preço, o produto (que é o melhor do mundo, por ser o mais estético e o que apresenta melhor resultado) e as pessoas, tudo tem que estar perfeito”, explica.

E esse estilo marqueteiro se reflete na disposição de sua clínica. “A maioria das pessoas tem medo de dentista. Então, a ideia da nossa clínica é justamente evitar esse sentimento. A gente não tem uma sala de espera convencional, temos uma sala com internet banda larga, revistas, videogames. Mas a ideia é ele ser atendido o mais rápido possível”, diz.

Apesar de apresentar o perfeccionismo e a exigência como duas de suas principais características, Cláudio argumenta que esses sentimentos fazem parte de sua cobrança consigo mesmo e não se refletem tanto na hora de liderar. “Eu tenho percepção para tentar entender o que meus colaboradores estão sentindo. Minha equipe é a melhor do mundo. Acredito que há três formas de liderança: aquela que é pela força, aquela que se consegue pela admiração (meu caso) e aquela que apresenta as duas coisas. Qual é a melhor das três? Não sei, tem que ver o resultado. Eu sou líder que desperta admiração, sou bonzinho. Às vezes até demais”.

Nesse sentido, ele diz que é necessário ter paciência. “Tenho 14 colaboradoras nessa clínica (da Tolentino Filgueiras). Imagina… 14 mulheres. Às vezes, elas mesmas me perguntam como eu aguento. Mas eu acho mulher mais fácil de lidar, mais jeitosa. Com mulher, eu consigo conduzir bem”, conta, e engata: “O segredo do meu sucesso é saber lidar com pessoas. Não adianta o cara ser muito bom e não conseguir passar isso: o funcionário não sente isso, o cliente não sente isso. A primeira pergunta que eu faço para o meu paciente é: o que te incomoda? Porque a partir daí eu vou planejar o tratamento dele e fazer o máximo possível dentro do que é fisiológico”. De acordo com ele, ouvir o cliente — e é esse termo de marketing que ele usa para falar de seu paciente — é sine qua non. “A gente tem que saber o que o cliente deseja.”

Vida pessoal

Fora da sala de Odontologia e dos seminários, cursos e palestras, Cláudio Figueiredo diz conseguir ter uma vida social sadia. “A gente vive Euro Orto 24 horas. Mas tenho vida social. Não trabalho de sábado, sexta e de quarta à tarde. Isso não significa que eu não estou em casa vendo televisão. Muitas vezes, estou vendo o livro, congressos…”

Sempre que sobra um tempo ele o toma para exercer sua função de ‘paizão’. “Sou babão demais. Vou ao cinema com minhas filhas, a de oito anos senta no meu colo e a de doze fica abraçada comigo”. Além delas, vem mais uma por aí, ele anuncia: “Tem bebê para chegar. E mais uma menina”. Essa será a primeira com a atual esposa, Angélica. “Eu tenho o maior orgulho dela. É uma Batalhadora”, destaca.

Forte, porém sensível para alguns assuntos, ele relembra do quanto precisou de seu espírito de luta nos tempos difíceis em Londres quando dormia três ou quatro horas por noite, porque trabalhava como cozinheiro e jogava futebol em um clube da segunda divisão. “Até hoje cozinho bem.”

Realizado profissionalmente e pessoalmente, Cláudio não aceita a acomodação. “Minha motivação é diária. E cada dia uma nova.” Simples e fazendo questão de frisar que é companheiro até os últimos momentos, a definição que ele dá para si mesmo — “amo pessoas” — pode parecer um pouco incomum aos olhos de quem não o conhece; todavia, não há definição melhor.

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