Ricardo Almeida: Sob o domínio da elegância — Capa da Public First Class, ed. 20

563258_389137297772196_436063813_nPerfeccionista, exigente e bem relacionado, Ricardo Almeida é um exemplo de sucesso e perseverança. Com 26 anos de marca, ele trabalha 14 horas por dia e exerce liderança forte sobre seus colaboradores.Mesmo sendo referência em moda masculina no Brasil, ele é um estilista de sonhos intermináveis, sob o domínio de uma elegância sem fim.

Símbolo de elegância no Brasil, Ricardo Almeida apareceu para a entrevista em seu ateliê com um pouco de pressa. “Só um minuto que eu preciso tomar banho, fazer a barba e colocar uma roupa”, disse o estilista, que faz questão de estar impecável nas fotos. A calça jeans e a camiseta com que chegou foram logo substituídas pelos tradicionais paletó, gravata e calça. Mas não é por menos que Ricardo tem pressa. Com uma rotina corrida, o estilista é o típico empreendedor que trabalha 14 horas por dia e participa de todo o processo, sendo exigente com todos os colaboradores, desde a costureira até o diretor financeiro.

Líder extremamente presente, Ricardo cobra de seus colaboradores um perfeccionismo,que é típico dele e uma característica presente em sua marca. “Hoje, para qualquer coisa dá certo — a não ser que você tenha muita sorte e esteja na hora certa no momento certo — você tem que estar super presente. Inclusive em toda situação complicada”,argumenta. E completa: “Ninguém trabalha o que eu trabalho, porque eu chego aqui 15 para às 7h e saio de meu estúdio às 21h. Então, isso me ajuda nesse lado, porque as pessoas me respeitam mais, por ser um proprietário presente. Não sou aquele dono que aparece lá de vez em quando e não sabe nada. Eu sei tudo que está acontecendo, fico apar, tento resolver e converso”.

Além das 14 horas dedicadas à moda, o estilista é dono de um bar, o B4. De vez em quando, principalmente quando não tem algum evento em sua agenda lotadíssima, ele ainda passa lá de noite, para conferir como anda o empreendimento e para falar com os filhos Fernando e Caio, que trabalham no bar. Mas não é só esse contato que ele tem com os filhos, que no total são cinco (três do primeiro casamento e dois do segundo).Renata, a primeira filha de Ricardo, trabalha na fábrica com ele e vai ser a responsável por sua linha feminina, cuja coleção existe e já foi confeccionada mesmo sem ainda ter um ponto de venda. Caio também trabalha na fábrica, cuidando da parte administrativa.Fernando não trabalha com o pai, é arquiteto. E os filhos menores agitam a agenda de final de semana do pai: jogar tênis, ir ao clube, essas são tarefas comuns nos sábados e domingos do estilista. Ele tem até uma mesa de ping-pong que abre no próprio ateliê e fica jogando com filhos e clientes, integrando os momentos com os filhos com o trabalho.

Aliás, o trabalho na vida de Ricardo começou desde muito cedo. “Com 11 anos eu já trabalhava nos natais da loja do meu pai que era uma loja de cama e mesa, a Casa Almeida e Irmãos. Trabalhava e fazia pacote de presentes, embalagens e tal. Aos 14, comecei a trabalhar já fixo lá. Saía da escola, ia para lá e trabalhava”, lembra. Essa atividade desde muito cedo fez com que Ricardo tomasse conhecimento de uma rotina séria de trabalho e responsabilidades. “Como era uma loja de cama e mesa, não tinha muito a ver com o meu, mas não deixa de ter as pessoas que vendem, as representantes, as clientes, tudo. Você passa a ter uma noção boa de organização, de administração. Então, você aprende como funciona uma empresa. Começa lá debaixo e vai aprendendo”.

Mas o seu primeiro contato com a moda ocorreu de uma maneira inusitada.Ricardo Almeida tinha (e ainda tem) uma paixão muito grande por motocicletas. “Hoje não tenho tido tempo, as motos estão todas com abateria arreada. Tenho quatro motos, duas antigas e duas novas”. O sonho de sua vida era correr e então foi atrás de patrocínio para conseguir isso. Só que em vez de um patrocínio, ele conseguiu um emprego como representante de vendas em uma empresa do ramo de confecção. E para ganhar mais, precisava se aprofundar para vender mais e melhor. Foi assim que ele acabou se apaixonando pelo ambientes de roupas. Com os livros dos alfaiates das fábricas que representava, Ricardo foi aprendendo e se especializando em um processo completamente autodidata.

Em seguida, trabalhou em uma camisaria. Nessa época, passou a se interessar por tecidos e modelagem. De 1978 a 1983, foi sócio de uma confecção de destaque no mercado, a Africa. Nessa época, viajava ao exterior, observava tendências, estilos de vida e começou a usar uma técnica de desconstrução, desmontando roupas importadas a fim de investigar moldes e sistemas de montagem. Em 1983, optou por abrir seu próprio negócio, em um salto determinante para a expansão que a marca atingiu em seus 26 anos.

Com seu estilo sério, Ricardo se soltou mais quando questionado se acredita em sorte. “Eu acredito em sorte, mas acredito que a gente faz também nossa sorte. A pessoa que pega, vai atrás, corre… Eu sempre falo para os meus filhos que eles não devem ficar esperando chover, eles têm que fazer chover”. Para ele, sorte é algo que pode acontecer, mas também podemos ir atrás disso. “Como? Estar presente na hora, correr atrás! Se você não tiver lá, não vai acontecer. E tem uma coisa também de energia, de você estar junto, de chegar. Acredito que a sorte faz parte de uma energia que a gente tem e que capitaliza para isso”,define e bola uma metáfora que exemplifica bem seu pensamento e seu gosto: “Por exemplo, você joga sinuca… aí você encaçapa uma bola que é impossível encaçapar. Mas você consegue. Não porque deu sorte, mas porque você entra em uma concentração acima do padrão,‘entra’ naquela bola e consegue fazer. É lógico que você precisa também ter essa estrela, mas eu acho que você também faz isso”, finaliza Ricardo.

Sinuca é um hobby que o estilista não abre mão. Ele tem uma mesa de snooker no ateliê e esse é o esporte que ele mais pratica (ao lado do tênis). Seu ateliê já foi sua casa, então lá é um lugar onde ele consegue ficar à vontade, oque faz toda a diferença quando pensam os no período em que ele fica lá dentro. “É fundamental trabalhar muito, trabalhar e entender o que está fazendo”, diz. Ricardo tem na modelagem os seus temas preferidos de livros. Admira grifes como Tom Ford, Gucci, Dolce & Gabbana e o estilista Hedi Slimane (atual diretor criativo da marca Yves Saint Laurent). Mas não se engane: criação, para ele, é o passo maior que as regras que o estilista dá. “Hoje, eu estava conversando com meu diretor na fábrica, que cuida de toda parte de modelagem, que eu faço às vezes algumas coisas que saem totalmente das regras, de livros. Eu provei para ele uma história que nunca ninguém teria feito daquele jeito,nenhum livro. Por isso, tem que sair das regras, porque se todo mundo fizer igual a todo mundo, você não vai ser diferente dos outros. Então, tem que procurar outros caminhos para conseguir fazer pela tua experiência”, afirma.

E essa característica intuitiva e arrojada,mas ao mesmo tempo responsável e perfeccionista, denota um Ricardo sonhador ou, melhor dizendo, um aperfeiçoador de sonhos. “Não acho que você realiza um sonho e ele acaba. Dá pra fazer mais, dá pra fazer melhor. Então, isso é um problema meu: é interminável. Não acaba. Eu fiz aqui e está ótimo,mas é preciso ir além.”

Com essas características, fica fácil imaginar porque a marca é o nome certo nos guarda-roupas de celebridades, empresários e políticos.Todos adoram o caimento dos ternos e costumes de Ricardo Almeida. Todo esse sucesso começou quando as figurinistas da novela Sorriso do Lagarto (TV Globo – 19991) pediram que o estilista desenhasse para um personagem de Raul Cortez. De lá para cá, Ricardo abriu lojas (a primeira no Morumbi Shopping em 1991 e a segunda e principal loja até hoje no Shopping Iguatemi em 1992), fez desfiles cheios de celebridades e vestiu outras tantas em novelas, seriados,filmes, peças de teatro, shows,apresentações de TV e muito mais.Tornou-se o estilista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em uma jogada do marqueteiro Duda Mendonça para alavancar a imagem de Lula.

Trajar ternos e costumes Ricardo Almeida, com seus cortes impecáveis,se tornou um status de elegância e classe no vestir. E hoje, ele continua fortalecendo o prestígio de sua marca,que faz questão de ter bem próxima de si. Atualmente com 7 lojas e revenda em 50 multimarcas, ele diz que ainda há muito o que crescer por aqui. “Eu não abro ainda no exterior porque eu estou me preparando. Tenho uma fábrica super moderna com os últimos equipamentos lá de fora. Porque você tem que ter um produto super bom com preço condizente e tem que estar muito bem preparado para estar montando um negócio lá fora. Primeiro, vou demorar uns dois anos para terminar de alavancar aqui e só depois que eu vou montar lá fora.” Não resta dúvida de que será um grande sucesso.

Texto  e diagramação de Guilherme Zanette (28 29 Capa Ricardo Almeida 30 31 Capa Ricardo Almeida 32 CapaOK Ricardo Almeida), originalmente publicado na revista Public First Class. Mais notícias do universo do luxo no site: www.publicfirstclass.com.br.

 

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